
O Caçador de Energias Intrusas — Sentinela das Trilhas
Sub-falange do trono Tiriri — cruza a Esquerda de Ogum com o Povo da Mata (Oxóssi), caça energias intrusas alojadas em mato fechado e desfaz trabalhos despachados em pés de árvore, raízes e clareiras
Exu Tiriri das Matas é uma das sub-falanges canônicas do trono de Exu Tiriri, descrito doutrinariamente como Vanguarda de Ogum dentro da Esquerda da Lei, sob a luz de Oxalá. Sua particularidade é o cruzamento de duas forças: a esquerda executora de Ogum — quebradora de demandas, devolvedora de magias, retornadora do que foi mal-feito — e o reino verde de Oxóssi/Ossaim, senhor das matas e das ervas. Onde essas duas vibrações se encontram, surge o Tiriri das Matas: um caçador silencioso de energias intrusas, sentinela noturna das trilhas e desmanchador de trabalhos despachados em mato fechado, raízes de árvores, clareiras e bordas de floresta.|| Diferente do Caboclo da Mata (que é entidade da direita, sob comando direto de Oxóssi), o Tiriri das Matas é Exu — atua no plano vibratório da esquerda, mas no mesmo terreno físico.
Por essa razão, ao se aproximar do reino verde, sempre pede licença a Oxóssi e ao Pai Ossaim, senhores do território: jamais entra de assalto no domínio alheio. Diferente também de Tiriri das Almas (cemitério, almas individuais), de Tiriri da Encruzilhada (cruzamentos comuns de rua) e de Tiriri da Calunga (linha de passagem entre mundos), ele opera especificamente sobre o que foi feito ou alojado no verde — terra de mata, pé de árvore antiga, raiz exposta, clareira escondida.|| Incorporando, o Tiriri das Matas costuma se apresentar com personalidade silenciosa e observadora, "fala mais do que ouve pois já observou a pessoa", como descrevem os antigos. Tem o gesto de caçador na espreita: paciente, ágil, vigilante.
Veste capa preta com detalhes vermelhos, porta bastão ou faca curta de caça, e em algumas casas é descrito com guia verde acrescentada ao colar tradicional preto-vermelho — sinal do trânsito com o reino de Oxóssi. Sua vidência é apurada: como Senhor que "vê mais além", costuma identificar com precisão o que foi feito contra o consulente e onde foi despachado.|| Na prática de terreiro, sua oferenda canônica é firmada na orla da mata — limite entre o caminho/clareira e o verde fechado — jamais no interior de mata fechada sem acompanhamento e licença ritual. A regra de segurança é absoluta: ninguém entra sozinho em mato fechado para fazer oferenda, sob nenhuma justificativa espiritual.
Os itens tradicionais são marafo (cachaça) ou gim, charuto bem aceso, farofa de dendê, pipoca, sete frutas (especialmente bananas, mexericas, abacaxis pequenos), velas pretas ou bicolores preto-vermelho, e vassourinha branca atada em maço — esta última varre e quebra a demanda alojada no verde.
Poucas entidades sofrem tanto preconceito quanto as Pombagiras. Aqui esclarecemos os principais equívocos.
As velas tradicionais para acender em homenagem a Exu Tiriri das Matas. Você pode adquirir abaixo no Mercado Livre.
Exu Tiriri das Matas é entidade séria e exigente — exige protocolo respeitoso. Siga estas orientações.
A oferenda a Exu Tiriri das Matas é firmada na segunda-feira, ao entardecer ou início da noite, na ORLA da mata — nunca no interior de mato fechado sozinho. Antes de sair de casa, o médium toma banho de ervas escaldadas (vassourinha branca, arruda, guiné, espada-de-são-jorge — água quase fervente, fogo desligado, ervas cobertas por 10 minutos), defuma corpo e ambiente, e veste roupa limpa em tons sóbrios.
Chegando à orla da mata, antes de qualquer ato, faz a primeira saudação a Oxóssi e a Ossaim, senhores do território: "Okê Arô, meu Pai Oxóssi! Salve a Mata! Pai Ossaim, senhor das folhas, dê licença a este filho." Só então chama Tiriri das Matas: "Laroyê Tiriri das Matas! Saravá Senhor da Vidência, Caçador de Energias Intrusas, Sentinela das Trilhas — saravá a Lei de Ogum, saravá a luz de Oxalá!"
Monta o assentamento sobre a terra: forra opcional toalha preta ou vermelha, dispõe 7 velas pretas ou bicolores preto-vermelho em meia-lua voltada para dentro da mata, acende charuto ou fumo de rolo, oferece prato de barro com farofa de dendê e pipoca, 7 frutas (bananas, mexericas, abacaxis pequenos), copo ou cabaça com marafo/cachaça/gim, e o maço de vassourinha branca à frente. Faz o pedido em voz baixa, em verdade absoluta — nunca minta a Tiriri.
Deixa o charuto acendendo, derrama parte da cachaça no chão como libação e deixa o resto no copo. Fica em silêncio alguns minutos sentindo a presença. No encerramento, agradece, recolhe restos de papel/plástico, despede-se de Oxóssi e Ossaim ("Obrigado, meus Pais, pela licença"), e se afasta sem olhar para trás. As velas e a oferenda física devem ser deixadas até consumirem-se naturalmente — animais e a própria mata cuidam do restante. A contrapartida prometida (ato de justiça, caridade, oferta ao terreiro) deve ser cumprida com rigor.