
Exu 7 Aços



O Guardião das Sete Lâminas
Exu de corte e blindagem da Falange do Aço, sob regência de Ogum. Quebra demandas pesadas, corta energias negativas e oferece couraça espiritual contra ataques densos
Exu 7 Aços é um dos grandes guardiões da Esquerda umbandista, integrante da Falange de Exu do Aço — falange auxiliar do Reino do Fogo regida diretamente por Ogum, o orixá da Lei e da Ordem. Seu nome carrega o fundamento do trabalho: as sete lâminas de aço polido cruzadas em sua cintura representam tanto a têmpera (a resistência forjada pelo fogo) quanto o corte (a precisão cirúrgica que separa o que é justo do que é injusto, o que protege do que ataca).|| A Falange do Aço congrega Exus de função protetora e de quebra: Exu Trinca Ferro, Exu Capa de Aço, Exu Mão de Ferro, Exu Pé de Ferro, Exu Cadeado e Exu Caçamba são os irmãos de fundamento de Sete Aços. Todos compartilham o atributo do metal trabalhado — símbolo ancestral africano da civilização (Ogum é o orixá que ensinou aos humanos a fundição do ferro).
Na Quimbanda tradicional (Aluízio Fontenelle, José Bittencourt), a falange aparece como auxiliar do Reino do Fogo; na Umbanda Sagrada de Rubens Saraceni, lê-se como Exu Guardião da vibração de Ogum, podendo atuar como Exu de Frente para médiuns regidos por esse orixá.|| Incorporando, Exu 7 Aços manifesta porte ereto e marcial — peito estufado, ombros largos, queixo erguido. Voz grave e seca, fala em frases curtas e diretas. Gestos rígidos e cortantes: faz movimentos de espada no ar ao trabalhar quebra de demanda.
Costuma bater o pé firmando a presença e cruzar os braços ao consagrar trabalhos. É sério — não gosta de mole no trabalho — embora possa ter momentos de jocosidade controlada. Apresenta-se trajado de capa preta com forro vermelho-sangue, terno preto, camisa vermelha, chapéu preto de aba larga, e o cinto de couro com as sete lâminas reluzentes na cintura.
Pede cachaça pura, charuto forte ou cigarro de palha.|| Sua atuação é cirúrgica: corta demandas pesadas de feitiçaria direcionada, desfaz amarrações antigas que parecem se renovar sozinhas, blinda a aura contra ataques de obsessores e eguns desorientados, e protege médiuns iniciantes durante o desenvolvimento. Quando se chama Sete Aços, chama-se também a têmpera de Ogum — a firmeza que não dobra diante do mal, a justiça que não negocia com a injustiça. Por isso é tão buscado em situações de risco material (processos, conflitos jurídicos, ameaças concretas) e em momentos de crise espiritual aguda.
Poucas entidades sofrem tanto preconceito quanto as Pombagiras. Aqui esclarecemos os principais equívocos.
As velas tradicionais para acender em homenagem a Exu 7 Aços. Você pode adquirir abaixo no Mercado Livre.
Exu 7 Aços é entidade séria e exigente — exige protocolo respeitoso. Siga estas orientações.
A oferenda a Exu 7 Aços é firmada na segunda-feira, ao entardecer ou início da noite, em encruzilhada em T (masculina, regida por Ogum) ou — em terreiros com tradição mais ortodoxa — junto a trilhos de trem ou linha férrea, locais de força máxima da Falange do Aço. Antes de sair de casa, o médium toma banho de descarrego com ervas escaldadas (arruda, guiné, comigo-ninguém-pode, espada-de-são-jorge, aroeira), defuma o corpo e o ambiente, e veste roupa em tons sóbrios (preto e/ou vermelho preferencialmente).
No local da oferenda, antes de qualquer ato, faz a saudação ao orixá regente: "Salve Pai Ogum, senhor da Lei e da Ordem! Salve a Falange do Aço! Salve a luz de Oxalá que ordena toda a Esquerda!" Só então chama Sete Aços: "Laroyê Sete Aços! Salve as sete lâminas que cortam o mal! Saravá Guardião da têmpera de Ogum!"
Monta o assentamento sobre a terra: forra opcional toalha preta, dispõe 7 velas pretas e vermelhas (4 pretas + 3 vermelhas, ou todas pretas com cabo vermelho) em semicírculo voltado para a encruzilhada. Acende charuto ou cigarro de palha forte. Oferece prato de barro com padê de farinha de mandioca, dendê, cebola roxa picada e pimenta-do-reino. Em algumas casas acrescenta-se bife de fígado bovino frito no dendê (sem sangue, comprado no açougue — a Umbanda não pratica imolação). Garrafa de cachaça pura (marafo) aberta ao lado. Como fundamento específico da entidade, crava 7 pregos de aço ou ferro ao redor da oferenda, formando uma proteção.
Faz o pedido em voz baixa e com clareza absoluta — Sete Aços é Exu de aço, não gosta de rodeios. Bate 7 palmas firmando o trabalho. No encerramento, agradece, despede-se em ordem inversa (Sete Aços → Ogum → Oxalá), e afasta-se sem olhar para trás. Ao chegar em casa, banho de descarrego, firma vela em casa, e dorme. A contrapartida prometida (caridade, ato de justiça, ofício no terreiro) deve ser cumprida com rigor — Sete Aços cobra.