da Umbanda
As Nove Forças Sagradas que
Regem o Universo Umbandista
Conheça os Orixás cultuados na Umbanda — suas histórias, domínios, ervas, velas, sincretismo cristão e como invocar cada um para diferentes necessidades da vida.
❖ O Que São os Orixás na Umbanda
Os Orixás são, na cosmovisão umbandista, energias divinas criadas por Olorum (Deus Supremo, o Criador de tudo) para reger as forças da natureza e os aspectos fundamentais da existência humana. Cada Orixá é, ao mesmo tempo, uma força da natureza (o mar, o fogo, o vento, a terra, a floresta), um arquétipo psicológico (o guerreiro, a mãe, o sábio, o caçador), e um princípio sagrado (justiça, amor, cura, paz, coragem). Não são "deuses" no sentido pagão antigo — são manifestações de Olorum, mediadores entre o Criador e a humanidade.
Originários da tradição religiosa iorubá (povo do oeste africano, atual Nigéria e Benin), os Orixás vieram para o Brasil pelas mãos dos africanos escravizados durante o período colonial. Aqui, sob a opressão religiosa do catolicismo imposto, os africanos preservaram a fé nos Orixás camuflando-os com a iconografia dos santos católicos — gerando o sincretismo religioso que é hoje uma das marcas mais belas e profundas da espiritualidade brasileira. Iansã virou Santa Bárbara, Oxalá virou Jesus Cristo, Iemanjá virou Nossa Senhora dos Navegantes — e assim toda a tradição sobreviveu.
Na Umbanda — religião nascida no Brasil em 1908, com o médium Zélio de Moraes — os Orixás foram organizados em sete linhas principais (Oxalá, Ogum, Oxóssi, Xangô, Iemanjá/Oxum, Iansã/Nanã, Yorimá-Pretos-Velhos). Cada linha trabalha com falanges de espíritos (Caboclos, Pretos-Velhos, Crianças, Exus, Pomba-Giras, Marinheiros, Boiadeiros) que atuam sob a regência do Orixá. Na Umbanda, o Orixá não baixa em corpo humano (como no Candomblé); ele é a força que governa, enquanto seus filhos espirituais trabalham incorporados nos médiuns para atender, aconselhar, curar e desobsediar.
❖ Por Que os Orixás Existem na Doutrina Umbandista
A existência dos Orixás na Umbanda não é coincidência nem mero "empréstimo" do Candomblé — é parte essencial da cosmovisão umbandista por três razões profundas. Primeiro, porque a Umbanda nasce como síntese religiosa brasileira: reúne, num só corpo doutrinário, a base cristã da caridade, o espiritismo kardecista de Allan Kardec (mediunidade, reencarnação, evolução espiritual), e a tradição afro-iorubá dos Orixás. Sem os Orixás, a Umbanda perde sua raiz africana — e seria apenas uma vertente do espiritismo. Os Orixás são o que faz a Umbanda especificamente brasileira e ancestralmente africana.
Segundo, porque os Orixás cumprem uma função cosmológica e prática na doutrina: organizam o universo espiritual. Olorum é a fonte suprema, mas é distante demais para o contato direto humano cotidiano. Os Orixás são as "mãos de Olorum" — cada um cuidando de uma área da vida: Ogum abre caminhos, Iemanjá protege e gera, Oxóssi provê o sustento, Iansã carrega os ventos das mudanças, Nanã guarda a ancestralidade, Oxalá traz a paz. Quando o umbandista precisa de algo específico, sabe a quem pedir — não num sentido mágico de "pedir e receber", mas no sentido de sintonizar-se com a vibração do Orixá que rege aquela área.
Terceiro, porque os Orixás representam arquétipos universais que ajudam o ser humano a se conhecer e evoluir. Todo filho de Orixá carrega traços positivos e sombras daquela energia — quem é de Iansã tem coragem e impulsividade; quem é de Nanã tem sabedoria e melancolia; quem é de Oxóssi tem habilidade e dispersão. Estudar o próprio Orixá regente é estudar a si mesmo: descobrir as qualidades que deve cultivar e as sombras que deve trabalhar. Nesse sentido, os Orixás funcionam como espelhos sagrados do espírito humano — caminhos de autoconhecimento e evolução, não apenas objetos de culto.
❖ Como Invocar e Respeitar os Orixás
Invocar um Orixá na Umbanda não exige iniciação formal nem rituais complexos — exige fé, respeito e sintonia. O umbandista pode acender uma vela na cor do Orixá no dia consagrado a ele (segunda para Pretos-Velhos, terça para Ogum, quarta para Iansã, quinta para Xangô, sexta para Oxalá, sábado para Nanã), oferecer flores, frutas ou alimentos típicos, e fazer o pedido em palavras simples. O essencial é aproximar-se com humildade: o Orixá não é "empregado" de ninguém; é força sagrada que atende a quem se aproxima com coração limpo.
Para cada Orixá há ervas sagradas, cores específicas, dias preferenciais, números regentes e oferendas tradicionais — todos detalhados nas páginas individuais abaixo. Mas o mais importante são os princípios universais: nunca pedir o mal de outra pessoa (a Umbanda é doutrina de caridade), nunca tratar os Orixás com familiaridade desrespeitosa, nunca prometer o que não pode cumprir. Quando se pede a um Orixá, agradece-se depois — esquecer da gratidão é a maior falta espiritual umbandista. Acenda vela de gratidão sempre que receber o pedido atendido.
Frequentar um terreiro umbandista sério (com dirigente espiritual responsável e sem cobranças abusivas) é o caminho mais profundo de relacionamento com os Orixás. Ali se aprende a doutrina, participa-se das giras (rituais públicos), recebe-se a consulta com as entidades, e — para quem tem o chamado — desenvolve-se a mediunidade. Mas mesmo quem nunca pisou num terreiro pode honrar os Orixás em casa, com simplicidade e fé. Os Orixás não exigem perfeição — exigem verdade no coração. Conheça abaixo os 9 Orixás cultuados na Umbanda e descubra qual fala mais ao seu espírito.
❖ Os 9 Orixás da Umbanda
Clique em cada Orixá para explorar sua história completa, falanges, ervas sagradas, velas, oferendas, sincretismo cristão e o que pedir para cada um.
Oxalá
Pai Maior
Epa Babá!
Conhecer →Ogum
Orixá Guerreiro
Ogunhê!
Conhecer →Oxóssi
Orixá Caçador
Okê Arô!
Conhecer →Xangô
Orixá da Justiça
Kaô Kabecilê!
Conhecer →Iansã
Senhora dos Ventos
Eparrei, Oyá!
Conhecer →Oxum
Senhora do Amor
Ora Yeyê ô!
Conhecer →Iemanjá
Mãe das Águas
Odoyá!
Conhecer →Nanã
Ancestralidade
Saluba, Nanã!
Conhecer →Obaluaê
Orixá da Cura
Atotô!
Conhecer →❖ Perguntas Frequentes sobre os Orixás
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