
O Trono da Linha — Guardião do Cruzeiro das Almas
Sub-falange chefia do trono Tranca-Ruas — Regente Mehi Mahar Selmi Laresh — atua na Calunga Pequena em desobsessão e libertação de almas
Tranca-Ruas das Almas é a sub-falange que chefia o trono de Exu Tranca-Ruas, sendo regida pelo Mistério espiritual conhecido como Mehi Mahar Selmi Laresh, conforme psicografado por Rubens Saraceni sob orientação de Pai Benedito de Aruanda no livro "O Guardião dos Caminhos" (Madras, 2005). Dentre as sete sub-falanges do trono, esta é apontada pela tradição umbandista como a primeira a se apresentar publicamente na Umbanda Brasileira — tendo inclusive santuário centenário no Cemitério da Saudade em Campinas-SP. Diferentemente do Tranca-Ruas das Sete Encruzilhadas, que atua nos cruzamentos materiais, o Tranca-Ruas das Almas vibra especificamente na Calunga Pequena (o cemitério) e no Cruzeiro das Almas.
Suas atribuições, segundo as palavras transcritas por Saraceni, são "trancar a evolução dos desqualificados, desequilibrados e desvirtuados espíritos humanos" — ou seja, atuar como guardião disciplinador dos eguns que perturbam encarnados. Sua incorporação é descrita como reservada, contida e silenciosa (diferente das Encruzilhadas, falante e articulada): voz grave, postura sisuda, energia de muralha invisível. Trabalha em sinergia direta com Ogum (ordenador da Lei) e Omolu/Obaluaiê (ordenador da passagem matéria-espírito), motivo pelo qual diz-se que é Exu de Ogum e de Omolu.
Atua em desobsessão pesada, desmanche de demandas envolvendo eguns, proteção contra kiumbas que rondam famílias, escolta de almas recém-desencarnadas até as colônias espirituais de recuperação e blindagem do campo santo contra invasões astrais.
Poucas entidades sofrem tanto preconceito quanto as Pombagiras. Aqui esclarecemos os principais equívocos.
As velas tradicionais para acender em homenagem a Tranca-Ruas das Almas. Você pode adquirir abaixo no Mercado Livre.
Tranca-Ruas das Almas é entidade séria e exigente — exige protocolo respeitoso. Siga estas orientações.
A oferenda ao Tranca-Ruas das Almas deve ser feita no Cruzeiro do Cemitério (Cruzeiro das Almas) ou, na impossibilidade, em encruzilhada em "T" de chão batido. Antes de entrar no cemitério, pague os guardiões da porteira com uma vela preta, um pouco de cachaça e moedas para Exu e Pombagira do portão — esse é o pedágio espiritual de quem visita a calunga.
Componha a oferenda com 7 velas (metade pretas e metade brancas) dispostas em semicírculo voltado para o cruzeiro. Acompanhe com uma garrafa de cachaça branca artesanal (sem mistura), charutos preferencialmente de palha ou pretos, farofa de mandioca cozida em azeite-de-dendê com pimenta-malagueta, algumas pimentas vermelhas inteiras e flores brancas — rosas brancas ou flores secas combinam com o aspecto fúnebre da linha.
O ritual: acenda as velas em ordem, despeje uma porção de cachaça no chão como pagamento inicial, ofereça o charuto aceso "tragando" três vezes com a mão direita, disponha a farofa em folha de bananeira ou prato de barro virgem. Faça o pedido com clareza e firmeza, em voz baixa e respeitosa.
Após o pedido, saia caminhando sete passos para trás antes de virar. Nunca volte a cabeça para olhar a oferenda já entregue — esse gesto é de quebra de pacto. Agradeça mentalmente ao se afastar e cumpra o que prometeu como pagamento: gratidão é fundamento, e Tranca-Ruas cobra a contrapartida.